BRASIL PODE REGISTRAR NESTE MÊS PRIMEIRA DEFLAÇÃO EM 11 ANOS.



São Paulo. O Brasil pode registrar este mês sua primeira deflação em 11 anos. Analistas ouvidos pelo Banco Central (BC) no Boletim Focus projetam para junho uma queda de 0,07% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação do País. O próprio BC prevê uma queda de 0,1% no indicador. Seria a primeira deflação mensal desde o -0,21% registrado em junho de 2006.
Com o País mergulhado em uma crise política e ainda com dificuldade para retomar o nível de atividade, depois de uma profunda recessão, a inflação em queda é talvez o dado mais positivo no cenário econômico. As estimativas são de que o IPCA feche o ano abaixo dos 4,0% (centro da meta perseguida pelo BC é de 4,5%). E inflação baixa é o principal combustível para a queda da taxa de juros no País - ainda uma das mais altas do mundo.
Para economistas, porém, a deflação de junho, se confirmada, não deve se repetir nos próximos meses. "A deflação esperada para junho é muito pouco para dar um parâmetro da situação econômica. A economia ainda anda cambaleante, mas o que se tem agora é uma sazonalidade, que ajuda bastante o mês de junho. Ao se olhar para a série mensal, esse mês sempre apresenta uma das taxas mais baixas", diz o economista Flavio Romão, da LCA Consultores. Segundo ele, a inflação tende a voltar a subir, principalmente ao longo do último quadrimestre, e deve fechar o ano em 3,9%.
A avaliação dos analistas é que a queda esperada para este mês vem de uma convergência de fatores, como a baixa pressão dos preços dos alimentos, fruto do clima mais ameno desde o fim do ano passado, e dos bons resultados das safras agrícolas, além de um câmbio mais apreciado. Também pesa a redução dos preços de combustível pela Petrobras e a mudança da bandeira tarifária de energia - de vermelha, mais cara, para verde. Além da conjuntura ruim, com atividade econômica fraca e desemprego alto o que inibe o consumo.
Inflação do aluguel
A combinação de fatores também pode fazer com que a inflação medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) em 12 meses até junho registre deflação. Se a tendência se confirmar, será a primeira deflação acumulada em 12 meses pelo indicador desde 2010, quando o recuo foi de 0,66%. O índice é usado, sobretudo, como referência na hora de reajustar contratos, como os de aluguel. "Esse patamar de inflação que estamos testemunhando agora já era esperado. Os resultados elevados de 2016, quando a economia sangrava, mas a inflação continuava lá, resistente, é que eram fora do normal", diz o economista Heron do Carmo, da FEA-USP.
Redução da meta
Heron defende, por conta disso, que o BC não deveria perder a oportunidade histórica de reduzir a meta de inflação para 4,25% já no ano que vem. "Mesmo que seja uma medida extraordinária e agora seja o momento em que normalmente é definida a meta para 2019, não seria a primeira vez que a revisão seria antecipada", disse. Segundo ele, "isso sinalizaria o reconhecimento do esforço que foi feito pelo País para chegarmos até aqui".
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