OPOSIÇÃO BUSCA ALTERNATIVA PARA UMA DISPUTA SEM LULA.








Guilherme Boulos, líder do MTST, articula movimento de união das esquerdas e é apontado como opção se Lula for impedido de disputar o pleito ( Foto: Agência Estado )



Integrantes do PSOL, do PT e de movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) articulam a criação de uma alternativa política que possa ampliar o alcance atual dos partidos de esquerda.
O líder do MTST Guilherme Boulos é apontado, nos bastidores, como um nome de esquerda para disputar a eleição presidencial caso Lula seja impedido.
Em uma recente reunião convocada por Boulos em São Paulo com 40 pessoas, para qual o ex-presidente da República não foi convidado, ficou acertada a realização de um ciclo nacional de debates com o objetivo de elaborar um programa de governo que seria a base para outros passos do movimento.
Nessa reunião, o professor Valério Arcary teria dito que, "se Lula não for candidato, haverá um inverno siberiano" e será o início de "uma longa travessia para recompor a esquerda".
A repercussão posterior à reunião também foi grande. O ex-deputado Milton Temer distribuiu texto defendendo que, sem Lula na disputa, o PSOL abra mão de lançar candidato próprio à Presidência e forneça uma "filiação democrática" a Boulos para que o líder dos sem-teto seja candidato ao Planalto.
Em entrevista ao jornal "Estado de São Paulo", o professor emérito de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) Ruy Fausto, defendeu a união das forças de esquerdas para a eleição. Ele comentou a citação ao nome de Boulos como alternativa. "Ele certamente faz um trabalho muito importante na periferia, mas ainda tem um discurso muito bolivariano, e acho que isso tem de mudar. Devemos priorizar um programa mais democrático".
Fausto também falou de outros nomes. "A Marina, eu respeito a biografia, mas seu programa econômico não é bom e ela não se move muito bem na política. O Ciro é um sujeito que fala muitas verdades, mas fala demais".
Novo partido
Desde o impeachment de Dilma Rousseff, diversos setores da esquerda têm se reunido frequentemente para pensar alternativas, até mesmo com a participação formal do PT. Integrantes da corrente majoritária do PT, Construindo um Novo Brasil (CNB), viram nesse movimento sinais de que a ala à esquerda se prepara para deixar o partido. Mas participantes da articulação negam que o objetivo seja criar uma nova legenda.
O ex-ministro da Justiça Tarso Genro, que também esteve na reunião, citou o exemplo da esquerda de Portugal como inspiração para o Brasil.
Ao contrário do Podemos, que recusou uma aliança com o tradicional PSOE na Espanha e perdeu espaço, os movimentos da nova esquerda portuguesa conseguiram deixar de lado as diferenças e criaram uma frente única que venceu as eleições, a Geringonça, criada em 2015.
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