Família que encontrou petróleo em propriedade no Ceará enfrenta falta de água e incertezas sobre o futuro

 

Moradores de Tabuleiro do Norte aguardam orientações das autoridades após confirmação da presença de petróleo cru em terreno rural.


Descoberta de petróleo trouxe preocupação para família rural

A confirmação da presença de petróleo cru em uma propriedade rural de Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará, trouxe mais dúvidas do que soluções para a família do agricultor Francisco Eudazio Moreira, conhecido como Sidrônio Moreira, de 63 anos.


A substância foi encontrada após a perfuração de dois poços artesianos no Sítio Santo Estevão, localizado a cerca de 35 quilômetros da sede do município. O objetivo era encontrar água para irrigação e abastecimento dos animais.


No entanto, em novembro de 2024, o que surgiu do solo foi um líquido escuro, com odor semelhante ao de óleo e asfalto fresco. No último dia 19, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmou que a substância encontrada é petróleo cru.


Família teme vender animais por falta de água

Sem novas orientações sobre onde podem perfurar poços com segurança, os moradores convivem com a escassez hídrica e o receio de contaminação do terreno.


Atualmente, a família mantém apenas uma pequena horta sem sistema de irrigação, além de uma criação de 20 cabras e cinco novilhos.


Segundo Sidnei Moreira, filho do agricultor, a situação pode obrigar a venda dos animais caso o problema não seja resolvido antes do período de estiagem.


“Se não resolverem logo, teremos de vender o gado porque, quando chega o período sem chuva, ele emagrece muito e fica inviável. Sabemos que uma propriedade rural consome muita água”, afirmou.


Empréstimos foram feitos para investir na propriedade

Antes da descoberta do petróleo, Sidrônio contraiu um empréstimo de R$ 15 mil para custear a perfuração dos poços artesianos.


A esposa dele, Maria Luciene, também realizou um financiamento de R$ 10 mil com a expectativa de ampliar o rebanho da propriedade.


As dívidas ainda não foram quitadas.


“O terreno está parado. Se eles ao menos viessem dizer onde é seguro perfurar, já ajudaria muito. Em 48 hectares, não é possível que não haja água”, lamentou Sidnei.


Família recebeu orientações iniciais da ANP

De acordo com os moradores, a ANP orientou inicialmente que não houvesse contato com a substância encontrada e que novas perfurações não fossem realizadas até a identificação do material.


A agência foi acionada em julho de 2025, mas a visita técnica ao local ocorreu apenas em março deste ano.


Após a confirmação de que se tratava de petróleo, a ANP informou que a responsabilidade por eventuais avaliações ambientais e medidas de segurança caberia à Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace).


Segundo a agência, não há previsão de retorno ao local neste momento.


Semace avalia próximos passos

Procurada, a Semace informou que realizaria uma reunião técnica para discutir o caso e definir os próximos encaminhamentos relacionados à área.


Até a publicação das informações, a família afirmou não ter sido procurada pelo órgão para receber orientações sobre o uso da propriedade.


Exploração do petróleo ainda é incerta

A ANP informou que abriu um processo administrativo para avaliar a área e estudar a possibilidade de inclusão do terreno em um futuro bloco exploratório da Oferta Permanente de Concessão.


No entanto, não existe prazo para conclusão dessa análise e não há garantia de que a área será incluída em futuras licitações para exploração de petróleo.


Especialistas também alertam que a descoberta não significa necessariamente viabilidade econômica para exploração comercial.


Segundo eles, os custos de extração podem ser superiores ao valor que seria obtido com a produção do recurso.


Família aguarda definição das autoridades

Enquanto os órgãos competentes avaliam o caso, a rotina da família segue marcada pela incerteza.


Sem saber onde podem buscar água com segurança e sem perspectivas concretas sobre a utilização da área, os moradores aguardam uma definição que permita retomar as atividades agrícolas e garantir a sobrevivência da propriedade.

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