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| Foto: Reprodução |
A Câmara dos Deputados aprovou
nesta terça-feira (21) o Projeto de Lei 5228/19, do Senado, que diminui o
recolhimento do FGTS e da Previdência Social por parte do empregador na
concessão de primeiro emprego a jovens de 18 a 29 anos A matéria retorna ao Senado.
O texto aprovado é um
substitutivo da deputada Adriana Ventura (Novo-SP), que retoma as regras gerais
da Carteira Verde e Amarela, objeto da Medida
Provisória 905/19, cuja vigência acabou por não ser votada. Ela aponta que
a proposta tem o objetivo de gerar emprego e renda. “Falar em geração de
emprego é muito fácil. Ações concretas que possam viabilizar a empregabilidade
de jovens — em um sentido ampliado para pessoas com mais de 50 anos, para uma
recolocação profissional — é um passo que tem que ser muito negociado”, disse.
A deputada afirmou ainda que "precário é não ter trabalho".
Nessas contratações, a alíquota do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) devida pelo empregador passará de 8% para 2% no caso da microempresa; para 4% se empresa de pequeno porte, entidade sem fins lucrativos, entidade filantrópica, associação ou sindicato; e para 6% no caso das demais empresas. A indenização na demissão sem justa causa segue a legislação.Já a contribuição à Seguridade Social passa de 20% para 10% do salário.
Prazo
De acordo com o substitutivo, os contratos são considerados por prazo
determinado mínimo de seis meses, permitidas até três prorrogações até o limite
máximo de 24 meses de contratação.
Trabalhadores com 50 anos ou mais e sem vínculo formal de trabalho há mais de um ano também poderão contar com esse tipo de emprego.Para os dois grupos, o texto exige que o contratado não tenha antes um vínculo formal, deixando de fora desse conceito os trabalhos exercidos nas modalidades de contrato de experiência, trabalho intermitente e trabalho avulso.
Curso
No caso dos jovens, o projeto exige que o candidato esteja regularmente
matriculado em curso de educação superior, educação profissional e tecnológica
ou educação de jovens e adultos.Poderão ser contratados ainda
aqueles que tenham concluído o ensino superior ou a educação profissional e
tecnológica.
Caso o candidato não tenha
concluído esse nível de formação e esteja fora da sala de aula, terá o prazo de
dois meses para apresentar a matrícula escolar ao empregador e retornar
efetivamente à escola. Se não o fizer, a empresa perderá os benefícios depois
de dois meses do momento em que ficar caracterizado seu não retorno à escola.
Limites
As empresas interessadas em usar esse incentivo terão limites para contratar
nessa modalidade, podendo abrir novos postos equivalentes a 10% do total médio
de empregados registrados na folha de pagamento entre janeiro e dezembro do ano
imediatamente anterior à contratação.Nessa conta não serão levados
em conta os feitos nos termos do projeto.Outra exigência é que a média
de empregados encontrada deverá ser mantida durante o ano civil seguinte à que
se refere.
Empresas com até dez
empregados serão autorizadas a contratar até um empregado na modalidade
primeiro emprego; empresas com 11 a 20 empregados poderão contratar até dois
empregados nessa modalidade.
Carga horária
A carga horária prevista para esses trabalhadores será de, no máximo 8 horas
diárias e 44 horas semanais, admitida a redução em acordo individual ou
coletivo ou devido a legislação especial. Os trabalhadores poderão ainda fazer
mais duas horas extras diárias, também amparadas por acordo individual,
convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho.
Corte de direitos
O líder do Psol, deputado Guilherme Boulos (Psol-SP), afirmou que a proposta
retoma a Carteira Verde e Amarela proposta no governo Bolsonaro, com o corte de
direitos para novos contratos. “Na prática, o projeto ressuscita uma tentativa
de precarização ainda maior das relações de trabalho, atacando os direitos dos
trabalhadores, que foi proposta durante o governo anterior na forma de Carteira
Verde e Amarela”, disse. Ele afirmou que a proposta vai diminuir os direitos
dos mais jovens. “É um novo ataque ao direito dos trabalhadores."
O deputado Glauber Braga
(Psol-RJ) afirmou que o texto desequilibra o sistema de trabalho e previdência.
“Com menos tributos, não vai haver contribuições para sustentar a previdência.
Além disso, o efeito prático será a demissão pelas grandes empresas para
contratar trabalhadores com menos direitos”, disse.
A deputada Jack Rocha (PT-ES)
explicou que o texto foi negociado antes da aprovação e, por isso, o PT vai
votar a favor. “A relatora fez alterações para melhorar o texto e aproximar a
proposta com o pensamento da Federação”, afirmou. O deputado Bohn Gass, no
entanto, criticou a proposta. Para ele, o jovem trabalhador terá menos acesso
ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e não investe em qualificação.
“A proposta beneficia apenas o patrão, que terá desconto”, disse.
Incentivo
O deputado Gilson Marques (Novo-SC) afirmou que a proposta tem o objetivo de
incentivar o primeiro emprego. “Esse incentivo é válido somente para o primeiro
emprego, e, mesmo para esse primeiro emprego, precisam de um número enorme de
regras. Trata-se de uma pequena parte da população”, disse.
Para o deputado Cabo Gilberto
Silva (PL-PB), a proposta vai aquecer a economia. “Esse projeto é importante
para o povo brasileiro, em especial aos jovens que buscam o primeiro emprego,
com o qual o desgoverno Lula está acabando a cada dia no nosso Brasil”, disse.
Fonte: Agência Câmara de
Notícias

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