CITANDO CRISE, BC REDUZ SELIC PARA 10,25% E INDICA CORTES MENORES ADIANTE





Como ninguém sabe ao certo como o recrudescimento da crise política brasileira impactará a economia, o Banco Central resolveu ser cauteloso. Disse que os efeitos sobre a atividade — que ensaiava uma recuperação — são incertos e que há várias dúvidas sobre como essa turbulência pode afetar a inflação. Por isso, decidiu cortar os juros como previa o script: 1 ponto percentual. E avisou que, daqui para frente, os cortes serão menores.

O mercado financeiro esperava que o Comitê de Política Monetária (Copom) fizesse o que fez: reduzisse a taxa básica de juros (Selic) de 11,25% ao ano para 10,25% ao ano. Essa foi a sexta queda seguida e levou os juros básicos do país para o menor nível desde janeiro de 2014.
Não importava tanto, para o mercado financeiro, o resultado da reunião, mas o comunicado que seria divulgado logo em seguida. Todos os economistas esperavam a avaliação da crise política em busca de um rumo nos negócios que serão feitos a partir de amanhã.
Nesse ponto, o BC deixou claro que as incertezas do andamento das reformas traz dúvidas em relação até onde o Copom pode ir na hora de cortar os juros porque, sem ajustes, a taxa neutra da economia (um ponto de equilíbrio onde não estimula e nem acelera a inflação) pode não cair como planejado anteriormente.
"O Comitê entende que o aumento recente da incerteza associada à evolução do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira dificulta a queda mais célere das estimativas da taxa de juros estrutural e as torna mais incertas. Essas estimativas continuarão a ser reavaliadas pelo Comitê ao longo do tempo", afirma o BC em nota, e ressalta que cortará menos os juros daqui para frente:
"Em função do cenário básico e do atual balanço de riscos, o Copom entende que uma redução moderada do ritmo de flexibilização monetária em relação ao ritmo adotado hoje deve se mostrar adequada em sua próxima reunião".


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