O procurador-geral da República Rodrigo Janot
participou nesta terça-feira (21) da cerimônia de devolução ao estado do Rio de
R$ 250 milhões repatriados nas investigações sobre o esquema de desvio de
recursos que, segundo o Ministério Público, era liderado pelo ex-governador
Sérgio Cabral. O encontro foi aberto por um discurso de Janot apontando os
malefícios que os esquemas de corrupção causam no Rio e no Brasil.
A cerimônia começou por volta das 15h na sede do Tribunal
Regional Federal, no Centro do Rio. Além de Janot, parciciparam a
superintendente da Receita Denise Esteves Fernandes; o desembargador Paul Erik;
o procurador-geral do Estado Leonardo Espindola e o superintendente da Polícia
Federal no Rio, Jairo Santos.
O valor foi utilizado esta semana para o pagamento do 13º
salário de 2016 de cerca de 146 mil aposentados e pensionistas do estado. O
contingente representa 57% dos aposentados e pensionistas do estado com 13º
atrasado, todos com vencimento até R$ 3,2 mil.
"A vida é feita de sinais. Esse dinheiro (R$ 250
milhões) para 147 mil famílias. A sociedade não suporta mais este tipo de
atuação. O Estado do Rio atravessa uma crise política e ética. Estado que é
símbolo do país. Esse estado dobrou o joelho. E quando o Estado do Rio dobra o
joelho, o Brasil dobra", diz Rodrigo Janot.
"Esse ato hoje é um sinal para mostrar que as
instituições funcionam. Através de um trabalho cooperado fazem frente a uma
deslavada corrupção. Um sinal para a população é que a institucionalidade reage
de forma legal. Esse dinheiro volta para onde nunca devia ter saído. Para os
cofres públicos", completou Rodrigo Janot.
Para o procurador-geral do Estado do Rio, Leonardo
Espindola "os recursos viabilizados pela Força-tarefa da Lava-Jato
servirão para superar os tempos difíceis que vivemos".
Um acordo de colaboração premiada realizado com dois dos
réus permitiu a repatriação de US$ 85.383.233,61 provenientes das contas
Winchester Development SA, Prosperity Fund SPC Obo Globum, Andrews Development
SA, Bendigo Enterprises Limited e Fundo FreeFly, valor devolvido aos cofres do
Estado. As investigações revelaram até o momento que mais de R$ 400 milhões
foram movimentados no exterior pela organização criminosa.
Segundo o MPF, dos valores já encontrados, 80
milhões de dólares pertenceriam a Cabral, R$ 15 milhões a Wilson Carlos e R$ 7
milhões a Carlos Miranda. Os três foram presos em novembro, durante a Operação
Calicute.

