Francisco,
eleito ao trono de Pedro em 2013 para reformar um Vaticano abalado por
escândalos, tem ainda muitos desafios pendentes depois de quatro anos de
pontificado, assim como muitos obstáculos a superar para que os resultados se
apresentem em curto prazo. O sumo pontífice argentino completa hoje aniversário
no comando da Igreja católica ainda despertando um grande fervor popular com
sua linguagem afável e comentada falta de apego a burocracias.
No
entanto, ele não desperta o mesmo fervor na Cúria Romana, o governo central da
Igreja, com quem teve duros confrontos. Em dezembro, por ocasião da saudação de
Natal aos cardeais e bispos que trabalham no Vaticano, o papa enumerou a lista
de de “antibióticos” para combate os males da Igreja, entre eles honestidade,
humanidade, racionalidade, bondade, respeito, lealdade e sobriedade. Segundo um
bispo argentino próximo ao Papa, Francisco conta com o apoio de cerca de 20% da
Cúria e apenas uma minoria se opõe abertamente a sua gestão.
“Acho que
é preciso acabar com o clichê de que o papa é bom e a Cúria é má”, explicou o
cardeal alemão Gerhard Ludwig Müller, conhecido por suas posições conservadoras
e encarregado da influente congregação, conhecida no passado como Santa
Inquisição.
O
vaticanista Gianni Valente, da página especializada Vatican Insider, sensível à
mensagem do papa, teme que “o clichê papa bom, Cúria má” termine por afetar
negativamente o pontífice, isolando-o. “Há muito mal-estar interno, como a dos
meios de comunicação”, explicaram fontes ligadas à Cúria.
Outra
reforma-chave que pretende por fim a problemas que se arrastaram por décadas na
administração do Vaticano foi a de melhorar o emprego de recursos e garantir a
transparência nas finanças para ampliar seus programas de ajuda aos mais
necessitados e marginalizados da sociedade. A mesma Santa Sé reconheceu que
ainda precisa de alguns anos para consolidar seu estado financeiro.
O
encarregado por Francisco de limpar as finanças vaticanas, o superministro da
Economia, cardeal australiano Goerge Pell, foi envolvido no escândalo dos
padres pedófilos em seu país, e sua defesa da economia de mercado se choca com
a mentalidade do papa latino-americano. A questão da pedofilia dos padres,
inclusive, continua sendo um espinho no pontificado de Francisco e um dos
problemas mais graves que precisa encarar.
A
permanência de Goerge Pell em um cargo tão importante gera muitas
interrogações, e muitos observam com atenção a gestão do imenso patrimônio
imobiliário do Vaticano, um verdadeiro tesouro, de um valor em torno dos 4
bilhões de euros, segundo o liro Avarizia de Emiliano Fittipaldi.
“O papa
inicia processos de reforma e termina por semear apenas desordem”, comentou
Sandro Magister, um dos vaticanistas mais críticos em relação a Francisco.
“Está muito longe de cumprir com suas metas”, afirma Magister, enquanto Gianni
Valente recorda que um pontificado “não depende de obter resultados” e, sim, de
sua missão humanizadora em um mundo globalizado. (AFP)
