O goleiro Bruno Fernandes, condenado por matar em 2010 a ex-namorada
Eliza Samudio, deixou a Associação de Proteção e Assistência aos
Condenados (Apac), em Santa Luzia (MG), na noite desta sexta-feira (24).
Ele estava acompanhado da mulher Ingrid Calheiros.
A liberação foi determinada
pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF),
em decisão liminar (provisória) da última terça-feira (21). Ele aguarda
julgamento de recursos após condenação.
Bruno saiu pela entrada principal, chegou a ser abordado por
jornalistas, mas não respondeu às perguntas. Ele entrou em um carro que
já o aguardava. O advogado dele, Lúcio Adolfo, disse que o goleiro está
muito feliz.
Em 2013, Bruno foi condenado a 22 anos e 3 meses de prisão pelo
assassinato e ocultação de cadáver de Eliza e também pelo sequestro e
cárcere privado do filho Bruninho. Segundo decisão do ministro Marco
Aurélio, o goleiro poderá ficar em liberdade enquanto o recurso contra a
condenação não é julgado.
O advogado do goleiro informou que mulher de Bruno, a dentista Ingrid
Calheiros, está em Belo Horizonte para se encontrar com o marido.
Vida fora da prisão
O advogado não disse para onde Bruno irá. A decisão do STF determina
que ele fique na residência informada à Justiça, atenda às convocações
que forem feitas, comunique eventual transferência e adote "a postura
que se aguarda do cidadão integrado à sociedade".
Sobre o futuro de Bruno, o defensor preferiu não comentar. "Os planos
do Bruno na sua vida particular, apesar de conhecê-los, eu não tenho
liberdade, não me sinto com calma para descrevê-los. Trata-se de um
problema da vida privada dos dois. Eu posso antecipar que um período
eles terão que ficar aqui, certamente, para se justificar diante do
juiz, de onde vão morar, qual é a atividade profissional".
Decisão de Marco Aurélio
O goleiro está preso preventivamente, enquanto aguarda o julgamento de
sua apelação ao TJMG. Marco Aurélio entendeu que há excesso de prazo
nessa prisão e que o goleiro tem direito a aguardar em liberdade. Depois
de julgados o recurso, caso a condenação seja mantida, ele deve voltar
para a prisão.
“A esta altura, sem culpa formada, o paciente está preso há 6 anos e 7
meses. Nada, absolutamente nada, justifica tal fato. A complexidade do
processo pode conduzir ao atraso na apreciação da apelação, mas jamais à
projeção, no tempo, de custódia que se tem com a natureza de
provisória”, diz trecho da decisão.
Ao conceder liberdade para o goleiro Bruno, o ministro Marco Aurélio
afirmou que o alvará deve ser expedido caso não haja ordem de prisão
além da provisória decretada no processo no qual ele foi condenado a 22
anos e três meses. Segundo o advogado de Bruno, ele está preso
exclusivamente por conta do caso Elza Samudio.
Bruno também foi condenado pela Justiça do Rio de Janeiro por cárcere
privado, lesão corporal e constrangimento ilegal contra Eliza Samudio.
Mas, segundo o advogado, ele já cumpriu essa pena.
Clamor social
Segundo o ministro, Bruno é réu primário, tem bons antecedentes e
poderia ter obtido direito de recorrer em liberdade contra a condenação.
Marco Aurélio Mello diz que o clamor social não deve ser colocado à
frente de garantias individuais. Segundo ele, o condenado está preso há
mais de seis anos sem culpa definitiva "formada".
No despacho, o ministro do STF afirma que Bruno deverá ficar na casa
que informar à Justiça, atender aos chamamentos judiciais, informar
eventual transferência e "adotar a postura que se aguarda do cidadão
integrado à sociedade."
Condenação
Em 8 de março de 2013, Bruno foi condenado a 22 anos e 3 meses pelo assassinato e ocultação de cadáver de Eliza Samudio e também pelo sequestro e cárcere privado do filho.
Bruno foi condenado a 17 anos e 6 meses em regime fechado por homicídio
triplamente qualificado (por motivo torpe, asfixia e uso de recurso que
dificultou a defesa da vítima), a outros 3 anos e 3 meses em regime
aberto por sequestro e cárcere privado e ainda a mais 1 ano e 6 meses
por ocultação de cadáver. A pena foi aumentada porque o goleiro foi
considerado o mandante do crime, e reduzida pela confissão do jogador.
Eliza desapareceu em 2010 e seu corpo nunca foi achado. Ela tinha 25
anos e era mãe do filho recém-nascido do goleiro Bruno, de quem foi
amante. Na época, o jogador era titular do Flamengo e não
reconhecia a
paternidade.

