Especialista dá dicas de atividades para tirar
o foco das obrigações e ajudar a manter o bem-estar psicológico
Sentimentos de falta de energia, sonolência e
desânimo têm se tornado cada vez mais comuns, especialmente em rotinas
aceleradas e exigentes, que demandam alta produtividade. Essa indisposição
acaba levando o cérebro a buscar alívios imediatos. Nesse momento, muitas
pessoas caem nas armadilhas das redes sociais, dos jogos de azar e das compras
impulsivas.
É importante ressaltar que o cansaço também
pode ser um sintoma de doenças mais graves, como a síndrome da fadiga crônica,
disfunções na tireoide, distúrbios do sono ou esgotamento mental (burnout). Por
isso, além da mudança de hábitos, é essencial contar com acompanhamento médico
especializado para um diagnóstico mais detalhado.
No dia a dia, é comum que, ao chegar em casa
após um dia exaustivo, apareça a tentação de “descansar” olhando para as telas.
Rolar pelo feed ou passar horas assistindo a vídeos curtos pode até parecer
relaxante, mas essas práticas contribuem para a sensação de fadiga. Usar esse
momento para permanecer conectado às redes sociais costuma prejudicar a saúde
mental.
Resgatar momentos de lazer, cultivar hobbies e
ativar a criatividade são fundamentais. Além de promover o equilíbrio
emocional, essas atividades proporcionam sensação de realização pessoal,
reduzem o estresse e estimulam a criatividade. De acordo com a psicóloga
Jéssyka Andrade, docente do curso de Psicologia do UNINASSAU – Centro
Universitário Maurício de Nassau Juazeiro do Norte, a ausência de lazer faz com
que a mente entre em modo de sobrevivência, causando mais irritação, ansiedade,
vulnerabilidade e desconexão do corpo e das relações.
“Ter tempo para se divertir e estar com quem se
gosta é uma forma de resistência em um mundo que tenta transformar cada minuto
em desempenho. O lazer produz presença, criatividade, vínculos e sentido.
Precisamos ressignificar o tempo livre como um espaço de resgate. Cuidado para
não reduzir quem você é somente ao que produz”, destaca.
O psicanalista Freud, no início do século XX,
já abordava a importância do descanso para a saúde mental. Para ele, brincar é
uma necessidade fundamental no desenvolvimento infantil, pois ajuda na
construção das competências e na compreensão do mundo. Dedicar alguns minutos
do dia a atividades que remetam à infância pode ser um momento de conexão
emocional e equilíbrio psicológico.
O ideal é buscar práticas capazes de gerar
prazer genuíno, sem cobrança de desempenho. “Atividades envolvendo a natureza,
o corpo e os sentidos, como dançar, cozinhar, praticar esportes, caminhar ao ar
livre, fazer arte ou jardinagem, costumam ter efeitos positivos. Mas também há
grande valor nas experiências simples: ouvir música, assistir a um filme,
conversar com amigos e cuidar de si. O mais importante é o movimento de se
permitir e descobrir o que funciona”, recomenda a especialista.
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