Foto: Natinho Rodrigues/Diário do Nordeste.
O Terminal de Cargas Aéreas
Internacionais (Teca) do Aeroporto de Fortaleza está autorizado pela Receita
Federal a operar despacho aduaneiro expresso de remessas e despacho aduaneiro
de remessas postais internacionais.
Isso significa que as compras
internacionais de cearenses devem chegar até uma semana mais rápido que o tempo
atual. A mudança foi possível a partir de investimento de cerca de R$ 1 milhão
realizado pela concessionária Fraport no Teca.
Remessas expressas englobam as
compras em plataformas de e-commerce globais. São as chamadas cargas courier,
do inglês. Remessas com valor aduaneiro (Custo + Seguro + Frete) de até US$ 3
mil podem usar o Regime de Tributação Simplificada (RTS) via courier.
Segundo a concessionária, as
conversas sobre homologar o aeroporto a cargas courier iniciaram ainda em 2024.
A expectativa é que a operação comece de forma gradual, mas com potencial para
crescer rapidamente à medida que o mercado conheça as vantagens do serviço
local.
Com a homologação do Aeroporto
de Fortaleza, portanto, o Ceará e o Nordeste têm a chance de ficarem menos
dependentes das alfândegas de grandes aeroportos hubs do país como Guarulhos-SP
e Campinas-SP.
Ainda, o courier tem vantagens
sobre outras remessas, sobretudo após criação do Programa Remessa Conforme, que
permite desembaraçar cargas no mesmo dia.
Assim, aproveitando voos
internacionais que chegam em Fortaleza ao fim da tarde e noite — como Air
France, TAP e Latam, a ideia seria liberar entregas aos clientes já no dia
seguinte.
Pelo Remessa Conforme, como os
impostos são pagos antecipadamente à Receita Federal, a encomenda, em geral,
ficará menos tempo nas alfândegas.
Entregas internacionais mais
rápidas
Uma carga vinda da Europa,
entrando no Brasil por voo internacional para Guarulhos, por exemplo, voltaria
ao Ceará para ser entregue muito provavelmente por caminhões. Isso porque o
preço do frete via trecho terrestre é mais barato que por voo doméstico.
Após liberação alfandegária em
SP, a vinda até o Ceará duraria ainda pelo menos uns 7 dias aproximadamente,
segundo fonte ouvida pela coluna, também porque os caminhões realizam paradas
no caminho.
O Remessa Conforme passou a
permitir que várias empresas agenciadoras de carga operassem em qualquer outro
Teca, o que abriu espaço para a homologação do Aeroporto de Fortaleza na
modalidade.
Até então, tal liberação só
era possível de ser realizada pelos Correios através da Alfândega de Curitiba,
algo que tornava a liberação de cargas morosa.
A expectativa é que o
desembaraço aduaneiro possa ser realizado no mesmo dia e no Aeroporto de
Fortaleza, o que ajuda bastante na agilidade de remessas expressas da região.
Próximas etapas
Vencida a etapa de autorização
do Teca do Pinto Martins e inspeção da Receita Federal ao espaço preparado para
tal, a próxima etapa, será aguardar a habilitação de empresa que possa atuar
como empresa de courier ou empresa de transporte expresso internacional para o
Aeroporto de Fortaleza.
A Fraport já está em
tratativas com empresas especializadas, para que se homologuem como operadoras
courier no aeroporto de Fortaleza. Elas não apenas realizam o desembaraço, mas
também agenciam cargas de grandes players do e-commerce mundial, como Amazon e
Shopee.
“Hoje o e-commerce de
importados movimenta até 15 milhões de toneladas de carga por ano, mais de 90%
dessas entram pelo estado de São Paulo, principalmente aeroporto de Guarulhos,
porém, de 18% a 20% dessa carga já viria normalmente para o Nordeste”, conta
Rodrigo Sousa, diretor Comercial e Logística da Fraport Brasil.
“Caso esse volume de cargas
atinja 20 milhões de toneladas, o aeroporto de Guarulhos pode atingir uma
limitação de atendimento, dado que já opera nos limites de processamento”,
explica Rodrigo.
Dessa maneira, é importante
que, do jeito que se busca descentralizar os passageiros internacionais, que
ainda são muito concentrados no Sudeste, é importante que se descentralize
também a carga courier, sobretudo em tempos de boom do e-commerce internacional.
Pool de courier
A Fraport quer construir no
aeroporto de Fortaleza um “pool de courier”, ou conjunto de empresas que opere
remessas expressas ou transporte internacional expresso porta a porta em
Fortaleza.
O otimismo com a nova
modalidade logística também é compartilhado por companhias aéreas. “A Air
France, por exemplo, tem muito interesse de trazer o courier Nordeste deles
para Fortaleza. Toda a operação hoje é em Campinas, mas eles querem transferir
para cá”, revela uma fonte próxima às negociações.
Segundo Rodrigo Sousa, o setor
de cargas “tomou um susto” em 2024 com a nova tributação sobre as importações,
mas deverá passar entre 2026 e 2027 por um processo de consolidação e forte
crescimento novamente.
Por isso a Fraport quer
desenvolver bem o courier nos seus voos internacionais de passageiros: “Trazer
um cargueiro específico, é importante, mas não é a prioridade, pois a própria
carga ajuda a fazer do voo internacional de passageiros mais interessante para
novas companhias aéreas, ajuda a diluir custos, ajuda a fazer o voo saudável”.
Além de Fortaleza, outros
aeroportos também estão habilitados para operar cargas courier como os de
Brasília, Confins-Belo Horizonte e Recife.
Oportunidade para compras de
medicamentos importados
Rodrigo Sousa compartilha
também que uma grande oportunidade para o setor de courier baseia-se nas cargas
de medicamentos internacionais: “Todos ainda chegam por Guarulhos”.
Rodrigo menciona, por exemplo,
medicamentos como o canabidiol que tiveram suas autorizações de importação
relaxadas na última década e podem ter também logística facilitada.
Fonte: Igor Pires- Diário do Nordeste.
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